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Descritivo das principais algas comestíveis: 

Macroalgas:

 

Wakame (Undaria pinnatifida) – é uma alga castanha (feofícea), originária do Pacífico, que vive em águas profundas (até 25 m) e pode atingir 1.5 m de comprimento. A Wakame é a segunda alga mais consumida, na alimentação, em todo o mundo.

Relativamente ao seu valor culinário, é uma das espécies indicadas para se iniciar no gosto pelas algas, devido à sua suave textura e agradável sabor. As suas proteínas são de elevada digestibilidade e a percentagem em cálcio é a mais elevada dentro das algas comestíveis comercializadas. Todas as algas são excelentes fontes de iodo e a Wakame é uma das mais ricas neste domínio. O iodo é um oligoelemento essencial para o funcionamento da tiróide, encarregue de regular a velocidade das reacções metabólicas. No caso da obesidade, o iodo activa a tiróide, impedindo a formação de depósitos de lípidos nas células. Também possui quantidades significativas de magnésio e ferro

As suas folhas enroladas e verde-escuras têm um sabor suave e adocicado sendo por isso, indicada para saladas e para acompanhar sopas e legumes. Se adquirida seca, deve demolhar-se 10 minutos para ser ingerida crua em saladas (regue com limão). Se for cozinhada pode optar por demolhá-la apenas 2 minutos. O tempo de cozedura oscila entre 10 e 20 minutos.

 

Aramé (Eisenia arborea) - esta alga da família das feofíceas, cresce em mares profundos e é normalmente colhida no Japão. O seu nome vem da sua aparência e formato parecido com arame. É uma alga de sabor suave bastante fina e escura sendo por isso ótima para principiantes. Para melhor se adaptar ao seu sabor cozinhe-a com outros vegetais. Adicione-a aos legumes que mais gosta e cozinhe-os a vapor, salteados ou simplesmente faça uma salada. É rica em minerais, como ferro e cálcio. Antes de a utilizar deve-a lavar e deixar demolhar durante 15 minutos. O tempo de cozedura é aproximadamente de 25 minutos até a água se evaporar completamente. combina bem com vegetais adocicados, como a cenoura, cebola, e é servida como acompanhamento nas refeições. Também é indicada para sopas e saladas.


Hijiki (Sargassum fusiforme) – é uma alga comprida e escura, com textura semelhante ao Aramé mas é mais espessa e possui um sabor muito mais intenso a mar. Riquíssima em fibras e minerais como o ferro, cálcio e magnésio. Deve demolhar-se entre 20 a 30 minutos para que obtenha o seu volume normal e o seu tempo de cozedura é de 30 minutos. Utiliza-se como a Aramé.

Dulse (Palmaria palmata) – é uma alga vermelha (rodofícea), tipicamente atlântica, de pequeno porte (até 50 cm), que vive em águas relativamente profundas, frias e agitadas. O nome “dulse” tem origem no vocabulário irlandês (dils = alga comestível) e não tem nada a ver com o significado de açucarado ou doce, do vocabulário de origem latina (dulce = que tem sabor agradável). A Palmaria palmata foi a primeira espécie a ser referenciada historicamente como alimento humano, sabendo-se que foi tradicionalmente utilizada pelos povos costeiros da Islândia, Noruega, Irlanda, Escócia e Bretanha francesa. Cerca de 30 % do seu peso é constituído por minerais (ferro, potássio e iodo) e por proteínas de elevado valor nutritivo (18 %). A Palmaria palmata possui também elevados valores de vitamina C, que facilita a absorção do ferro, e de ficoeritrina, pigmento vermelho percursor da vitamina A.

É uma alga ideal para recuperar dos estados de anemia, astenia (debilidade), e processos pós-operatórios. Fortalece a visão (vitamina A) e é aconselhada para tratamento de problemas gástricos e intestinais e para a regeneração das mucosas (respiratória, gástrica e vaginal). Também exerce um efeito vermífugo e actua como anticéptico e antiparasitário, saneando a flora intestinal.

Esta alga é muito macia e possui um sabor suave e agradável sendo muito usada para temperar sopas e outros pratos. Deve-se demolhar apenas 5 minutos para cozinhar ou comer crua. O tempo de cozedura também é de cerca de 5 minutos, pelo que se adiciona praticamente no final da cozedura dos outros alimentos.

 

Esparguete do Mar (Himanthalia elongata) – é uma alga castanha (feofícea), de cor amarelo-oliváceo, que obteve o seu nome comercial das tiras estreitas e compridas semelhantes ao esparguete e que chegam a medir até 3 m de comprimento. É uma alga atlântica que tem assumido cada vez mais importância na industria alimentar. Já há vários anos se fabricam empadas, pizzas, massas, patês, pães, aperitivos fritos e latas de conserva, visto que o seu sabor faz lembrar alguns cefalópodes (chocos e sépias). Da sua composição podemos destacar o seu elevado conteúdo em ferro (59 mg por cada 100 g de alga) e a presença simultânea de vitamina C, o que facilita a absorção deste oligoelemento. Rica em potássio e se analisarmos esta proporção face à presença de sódio é a que tem o equilíbrio ideal para a saúde humana. O “esparguete do mar” é a alga mais rica em fósforo que potencia as funções cerebrais, ajudando a preservar a memória, a concentração e a agilidade mental.

Deve-se demolhar durante 45 minutos paraser ingerida crua e 5 minutos se for para cozinhar. O tempo de cozedura é de 35 minutos podendo ser reduzido a 10 minutos se posteriormente for utilizada em frituras, refogados ou assados. Quando é cozinhada com arroz integral deve ser colocada ao na mesma altura que o arroz por terem o mesmo tempo de cozedura.

 

Kombu (Saccharina japónica) Kombu Atlântico (Laminária ochroleuca) e Kombu Real (Saccharina latissima) – A Kombu é a mais larga e espessa das algas e possui uma cor parda (acastanhada), tem uma consistência carnosa e usa-se na cozinha par dar sabor, amaciar, evitar a flatulência e aumentar a digestibilidade, devido à presença de ácido glutâmico (ou glutamato). A “kombu” destaca-se pelo seu elevado conteúdo em minerais (magnésio, cálcio e iodo). O cálcio e o magnésio regulam, em conjunto, muitas funções, nomeadamente as do sistema nervoso e dos músculos. As algas do género das Laminarias, são usadas como fonte de iodo que regulam o funcionamento da tiróide. O ácido algínico presente nestas algas tem demonstrado efeitos preventivos contra a contaminação por metais pesados e substâncias radioactivos (especialmente por estrôncio 90) tornando o seu consumo quotidiano um importante aliado na diminuição do impacto da poluição ambiental. O consumo destas algas tem ainda efeitos anti-reumáticos, anti-inflamatórios, reguladores do peso corporal e da tensão arterial (devido à presença de laminarina e laminina) podendo ainda prevenir a arteriosclerose e outros problemas vasculares, pelos seus efeitos fluidificantes da corrente sanguínea.

Utiliza-se muito na cozinha nipónica para fazer saborosos caldos onde se cozinhou a “kombu” que são a base de muito pratos japoneses tradicionais (“dashi”) e com eles podem-se cozinhar massas, cereais, etc. A Kombu usa-se também na confeção de pães e hambúrgueres vegetais, utilizando-se moída como a farinha. Pode ser cozida juntamente com o feijão para tornar os grãos mais macios e mais fáceis de digerir, ou com vegetais, realçando o seu sabor e ajudando na digestão das fibras. É excelente para fazer sopas e caldos, principalmente de legumes. Se a alga está desidratada deve ser demolhada durante 10 minutos antes de cozer ou pode ser torrada em seco (no forno ou na frigideira quente) durante 5 minutos. O tempo de cozedura é de 30 minutos em panela de pressão ou 45 minutos se foi previamente torrada. A agua da sua cozedura é uma excelente base para todo o tipo de sopas.

 

Nori (Porphyra yezoensis, P. tenera, P. umbilicalis e Porphyra spp.) – O “nori” original é feito a partir das algas vermelhas (rododfíceas) Porphyra yezoensis e P. tenera, cultivadas no Japão. A palavra “nori”, na sua origem, quer dizer alga. No entanto com o passar do tempo, esta palavra passou a designar o produto elaborado com lâminas de algas do género Porphyra. O “nori” consiste então num conjunto de rectângulos fabricados a partir de alga triturada, que servem de invólucro dos conhecidos “sushi” japoneses.

A Nori destaca-se pela sua grande riqueza em aminoácidos e de boa digestibilidade. O “nori” é excepcionalmente rico em provitamina A, superando as hortaliças e, também, os mariscos e peixes. Os valores de vitamina B12 são também muito elevados nesta alga (29 _g por cada 100 g de alga). A Porphyra tem uma baixa percentagem em gorduras e estas são de grande valor nutritivo pois, mais de 60% das mesmas, são ácidos gordos polinsaturados ómega 3 e ómega 6. O “nori” é indicado para cuidar da visão, especialmente na falta de visão nocturna. Para proteger e nutrir a pele e as mucosas.

Esta alga é normalmente utilizada para envolver o sushi mas também pode ser consumida no seu estado natural, ou picada para polvilhar em cima de caldos, sopas, saladas, legumes ou feijões. Deve-se demolhar previamente durante 20 minutos para a ingerir crua e 5 minutos (opcional) se for para cozinhar. Se optar inicialmente por torrá-la não o faça por mais de 3 minutos.


Musgo da Irlanda (Chondrus crispus) é uma alga vermelha (rodofícea) de pequeno porte que ganhou o seu nome comercial por ser muito explorada e apreciada na Irlanda. Foi usada pelos irlandeses durante a escassez de alimentos do século XIX.

Para além de ser rico em carragenanas (coagulante natural), possui um elevado conteúdo em proteínas (20%), é rico em vitamina A (que não desaparece na cozedura), vitamina B­1, iodo, betacaroteno, em ácidos gordos polinsaturados e sais minerais. Os seus efeitos contra a hipertensão devem-se aos ficocolóides que contém.

O Musgo da Irlanda esfria e acalma a área gastrointestinal e ajuda a reduzir as secreções gástricas. Pode ajudar a aliviar úlceras duodenais e pépticas sem qualquer efeito negativo no cólon. Na medicina popular é acrescentado em loções para amolecer a pele e prevenir o enrugamento prematuro. É também muito usado para engrossar e dar liga nos cosméticos. Tem efeitos terapêuticos na bronquite, cistite, convalescença, diarreia, disenteria, dor de garganta, gastrite, glândulas inchadas, indigestão, inflamações, pele ressecada, problemas na tiroide.

Na culinária, o Musgo da Irlanda é usado pela industria alimentar para acrescentar textura e dar estabilidade aos sorvetes, chantilly, pudins, sopas e molhos de salada. Esta alga é muito dura para se comer crua e deve ser previamente cozinhada. Pessoas que usam medicamentos anticoagulantes devem evitar consumi-la. Pode ser demolhada durante 5 minutos e o seu tempo de cozedura oscila entre os 20 e 35 minutos.

 

Fucus ou Bodelha podendo também ser denominada como Fava do mar (Fucus vesiculosus e Fucus spiralis) – são algas castanhas (feofíceas) de cor castanho-escuro ou verde-oliváceo e cujos talos podem atingir os 60 cm de comprimento. A sua característica mais comum é a presença de uma nervura mediana proeminente, podendo apresentar vesículas aeríferas ou aerocistos (presentes no F. vesiculosus), que possibilitam a flutuação dos talos quando emersos. Normalmente é encontrada nas costas do Mar do Norte, a oeste do Mar Báltico, e nos oceanos Atlântico e Pacífico.

Esta alga possui propriedades nutritivas e calmantes, estimula a glândula tireoide, emagrece, é antirreumática, emoliente, estimulante suave metabólica, tônica, anti-inflamatória. Isto porque ela é rica em iodo, cálcio, magnésio, potássio, sódio, enxofre, silício, ferro e algumas vitaminas do complexo B. Contém também quantidades moderadas de fósforo, selênio, manganês e zinco, e pequenas quantidades de vitaminas A, C e E, bem como a vitamina K, caroteno e traços de bromo.

Normalmente não é usada normalmente como alimento, mas possui propriedades anti-inflamatórias e anti-celulíticas sendo muito procurada para tratamentos de emagrecimento e beleza. O Fucus é comumente encontrado como componente de suplementos alimentares. Na alimentação, é comida crua ou cozida em sopas e grãos devido ao seu sabor salgado e à alta quantidade de elementos que pode oferecer ao organismo. Também é muito utilizada em tisanas.


Agar-Agar (Extracto de Gelidium corneum, Gracilaria gracilis entre outras) – as agarófitas são algas produtoras de agar, ficocolóide muito usado em microbiologia, biotecnologia, medicina, cosmética e indústria alimentar. O Gelidium corneum é uma alga vermelha (rodofícea), com um talo vermelho escuro, cartilaginoso, com dimensões até 35 cm e de consistência rígida. A Gracilaria gracilis é uma agarófita de cor púrpura com tonalidades esverdeadas, de consistência cartilaginosa e com um tamanho que pode atingir os 50 a 60 cm de comprimento.

A ágar-ágar normalmente é vendida em pó, flocos ou em fios, não tem sabor e serve como espessante natural, podendo substituir as gelatinas de origem animal. Se for utilizada em flocos ou em pó não necessita de ser demolhada. Só se devem demolhar as tiras durante 5 minutos se forem utilizadas cruas em saladas. Para gelificar deve ser fervida 8 minutos e não necessita de frigorífico para manter a sua gelificação, podendo ser diluída em qualquer líquido (água, sumos, leite, batidos).

o    3 gramas de agar-agar por ½ litro de líquido fornece uma consistência mais sólida.

o    3 gramas por litro oferece uma consistência mais cremosa e macia.

 

Microalgas:

 

Clorela (Chlorella vulgaris) é uma microalga verde, de água doce, cujo nome se deve à riqueza em clorofila. É rica em proteínas, vitaminas (incluindo a vitamina B12), minerais (especialmente ferro), aminoácidos e ácidos nucleicos (DNA e RNA), apresenta propriedades desintoxicantes e estimulantes do sistema imunitário, sobretudo ao nível da actividade anti-viral. Estas algas possuem um elevado teor de clorofila o que ajuda a limpar o sangue e tecidos, tornando-a particularmente útil para a desintoxicação. A Clorela contribui ainda para controlar o colesterol, para além de ser também uma boa fonte de proteínas. É útil no crescimento das crianças, sobretudo quando há necessidade de enriquecimento nutricional e na nutrição de grávidas e durante a amamentação. É muito usada enquanto suplemento nutricional e uma boa opção para usá-la é na forma de comprimido ou em pó (onde a fibra das suas paredes já foi quebrada e já pode ser assimilada pelo nosso organismo). Também é normalmente utilizada para enriquecer alimentos, sendo vulgar o seu aparecimento em massas e pão. Em pó, pode-se também utilizar para enriquecer sopas e caldeiradas de peixe.

 

Espirulina - A espirulina é uma cianobactéria – bactéria capaz de fazer fotossíntese, como as plantas, daí ser vulgarmente apelidada de microalga – de cor azul-esverdeada, carregada com fibras, proteínas (70%), vitaminas, incluindo vitaminas (incluindo A, B1, B2, B6 e K), minerais essenciais (incluindo ferro, cálcio e magnésio), vestígios de minerais, ácidos graxos essenciais, ácidos nucleicos (RNA e DNA), polissacáridos e antioxidantes. É 58 vezes mais rica em ferro que o espinafre, e oferece ainda vitaminas do complexo B. É por isto tudo, um bom complemento alimentar para vegetarianos e desportistas. A sua riqueza em clorofila faz com que seja usada em preparados para eliminar o mau hálito. Ajuda a combater o cansaço tanto físico como intelectual e reforça o sistema imunitário.

Tal como a Clorela é muito usada enquanto suplemento nutricional e consumida na forma de comprimido ou em pó servindo também para enriquecer alimentos.

 

Fontes: 

Portal Português das Macroalgas - www.macoi.ci.uc.pt;

CEVA (Centre d’Étude et de Valorisation des Algues) - www.ceva.fr;   

AlgaeBase - www.algaebase.org;

Pereira, L. e Correia, F., "Macroalgas Marinhas da Costa Portuguesa, biodiversidade, ecologia, e utilizações", Paris, Nota de Rodapé Edições, 2015.

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